A Dieta Cetogênica Prejudica a Tireoide? O que os Estudos Revelam?

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A Dieta Cetogênica Prejudica a Tireoide? O que os Estudos Revelam?
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A Dieta Cetogênica, atualmente, é uma das mais indicadas para quem deseja perder peso, previnir doenças degenerativas e ainda melhorar aspectos cognitivos. Todavia, será que existe alguma relação entre a cetogênica e a tireoide? Se você deseja saber a resposta para esta pergunta, leia este artigo até o fim…

tireoide
FONTE: Google Imagens

Entretanto, antes de entrarmos nessa relação (cetogênica e tireoide), é importante e necessário destacar que a Dieta Cetogênica é uma ótima opção pessoas que desejam melhorar o desempenho na academia, em corridas, e há até mesmo vertentes que defendem que ela ajuda a tratar o Alzheimer.

A Relação entre a Dieta Cetogênica e a Tireoide

A Dieta Cetogênica é uma dieta baseada no aumento do consumo de gorduras e de proteínas e no baixo consumo de carboidratos. Todavia, como sabemos, os carbos são a principal fonte de energia do organismo, e quando a sua ingestão diminui, o corpo precisa buscar essa energia em outras fontes (o que gera a queima de gordura e o emagrecimento).

Já a tireoide, como você deve saber, é uma glândula que controla a taxa metabólica de todos os órgãos do corpo e possui grande influência sobre alguns sistemas essenciais, como: energia, metabolismo, fertilidade, temperatura corporal, lipídios do sangue etc.

Mas qual a relação entre a cetogênica e a tireoide? Será que esse baixo consumo de carboidratos pode prejudicar os sistemas essenciais? A verdade é que, felizmente, esse tipo de dieta não traz nenhum dano à nossa tireoide.

Por isso, para evidenciar esse argumento, vamos a algumas informações científicas.

O que a Ciência e os Estudos Revelam…

Há uma característica em comum entre os principais estudos feitos sobre o assunto até então: eles usam sempre como base dietas com altos teores de gordura e de PUFA (ácidos graxos como ômega 3, ômega 6 e ômega 9).

A verdade é que esse tipo de análise pode comprometer drasticamente os resultados, afinal o ácido linoleico (um tipo de ômega 6), esconde os sinais da tireoide.

Aliás, para exemplificar, essa análise foi realizada em ratos para checar a diferença na atividade tireoidiana. Veja os resultados:

  • Ratos que ficaram em um dieta a base de óleo de milho converteram menos T4 em T3 ativa do que os ratos que estiveram em uma dieta a base de banha.
  • Ratos que ficaram em um dieta a base de óleo de cártamo tiveram uma resposta metabólica ao T3 extremamente mais reduzida do que ratos em uma dieta de carne rica em gordura.

Todavia, em um outro estudo, os ratos que estavam em uma dieta rica em PUFA apresentarem uma quantidade maior de gordura marrom (menos sensível ao hormônio tireoidiano).

Então, provavelmente devido a isso, os ratos que estiveram em uma dieta rica em óleo de soja, por um longo período, mostraram uma má regulação da temperatura corporal (função na qual a tireóide tem participação).

Também, outra demonstração interessante foi a realizada com perus e que pode-se concluir que com quanto mais ração ele ingeriam à base de óleo de canola, pior ficava a tireoide (e menos carne e ovos eles produzem, consequentemente).

Todavia, a redução nos sinais da tireoide não acontece com a ingestão de todos os tipos de gorduras poliinsaturadas. Na verdade, existe um tipo de gordura poliinsaturada que aumenta a função da tireoide (o ômega-3, que costuma ser encontrado frutos do mar).

O Que Outros Indícios Nos Contam

Infelizmente, ainda carecemos de estudos que façam uma comparação direta entre os efeitos sobre a função da tireoide em seres humanos de dietas ricas em gorduras do tipo PUFA versus dietas ricas em gorduras do tipo SFA/MUFA.

(Sendo que SFA é a sigla em inglês para ácidos graxos saturados (gordura saturada) e MUFA é a sigla também em inglês para ácidos graxos monoinsaturados.)

No entanto, alguns estudos oferecem indícios que podem ser reveladores.

Em 1995, pesquisadores separaram jovens adultos saudáveis em dois grupos.

Um dos grupos teria uma alimentação low-carb e alta em proteínas.

E o outro grupo teria uma dieta low-carb rica em gorduras, principalmente do tipo PUFA.

Sendo que o grupo da dieta rica em PUFA teve grandes quedas nos níveis de T3.

Mais tarde, o doutor Jeff Volek fez um estudo com adultos em dietas low-carb e ricas em gordura.

Nessa pesquisa, Volek prescreveu a alguns de seus pacientes uma dieta com as seguintes proporções:

  • 8% das calorias dos carboidratos;
  • 30% das calorias das proteína;
  • 62% das calorias das gorduras.

Sendo que as calorias das gorduras deveriam estar divididas da seguinte forma:

  • 25% vindas das gorduras saturadas (SFA),
  • 25% das gorduras monoinsaturadas (MUFA), e
  • 12% das gorduras poliinsaturadas (PUFA).

Apesar de ele não ter medido diretamente o hormônio T3, os resultados foram significativos.

As pessoas que ingeriram essa dieta rica em gordura apresentaram, ao final do estudo, níveis normais de hormônio T4.

E ainda por cima perderam uma quantidade significativa de gordura corporal.

Sendo que seria muito difícil que esses resultados ocorressem caso os indivíduos apresentassem hipotireoidismo.

Já em um outro estudo, muito mais antigo que esse, foi medida a regulação da temperatura corporal em dois grupos de pessoas.

Um deles era composto por pessoas em uma dieta low-carb high-fat (rica em creme de leite e manteiga), e o outro era formado com pessoas em dietas ricas em carboidratos e baixo teor de gordura.

Os dois grupos foram submetidos a várias horas de exposição a uma temperatura de —20°C, sob diferentes condições de alimentação.

Sendo que, no após jejuar, ambos os grupos reduziram a temperatura do corpo na mesma quantidade em resposta ao frio.

Porém, no cenário após comer, as coisas mudaram.

Aqueles que tiveram uma refeição com um alto teor de gordura apresentaram menores quedas na temperatura corporal quando comparados com o grupo de alto teor de carboidratos.

Isso sugere que, uma vez que a regulação da temperatura do corpo é controlada pela tireoide, esses 56 dias de dieta com alto teor de gordura (a partir de creme de leite e manteiga) tiveram um efeito positivo na função da tireoide.

Pontos Principais Sobre A Dieta Cetogênica Que Passam Despercebidos

É interessante notar que muitas pessoas relatam resultados de exames da tireoide não muito positivos após iniciar a cetose.

E isso acontece mesmo quando essas pessoas estão seguindo uma alimentação favorável ao bom funcionamento da tireoide.

Ou seja, ingerindo pouco óleo de soja, não exagerando nos alimentos goitrogênicos, e ainda comendo bastantes nutrientes pró-tireoide como a vitamina A, o iodo e o selênio.

Nesse caso, o que poderia estar acontecendo?

Ponto #1 — Restrição calórica

Fato é que a restrição calórica realmente pode diminuir o hormônio da tireoide — seja essa restrição proporcionada por uma dieta low-carb ou uma dieta low-fat.

Afinal de contas, a tireoide age meio que como um “barômetro da abundância de alimentos”.

Ou seja: se você está se alimentando bem, sua tireoide estará mais ativa.

E isso permite, por exemplo, que seu metabolismo fique mais alto e seus níveis de energia mais elevados ao longo do dia.

Por outro lado, se a comida está escassa, a tireoide se regulará para um menor nível de atividade, diminuindo o metabolismo, a energia e a fertilidade.

Simplificadamente, podemos dizer que a restrição calórica significa ao corpo que as coisas estão ruins e a comida é escassa — logo, o corpo interpreta que não existe tanta energia disponível quanto antes.

A dieta cetogênica é excelente em fazer as pessoas reduzirem a ingestão de calorias mesmo sem perceberem.

Na verdade, de certa forma, este é um de seus benefícios principais: o emagrecimento juntamente com uma alta saciedade.

Porém, um efeito colateral disso é que sua produção de T3 pode acabar diminuindo naturalmente.

Ponto #2 — Perda de peso

A perda de peso diminui a atividade da tireoide: independentemente da dieta utilizada, a perda de peso reduz a conversão de T4 em T3 ativo.

E o emagrecimento é uma ocorrência comum em uma dieta cetogênica.

Sendo, para muitos, o objetivo principal.

Relacionado: Conheça o plano de 91 dias para emagrecer com dieta cetogênica

Ponto #3 — Atividade física excessiva

Um outro motivo para a diminuição da atividade tireoidiana pode ser um excesso de atividade física.

Isso pode ocorrer especialmente se você estiver treinando com muita frequência, e muito intensamente, enquanto segue uma dieta cetogênica.

Quando você passa por um estresse psicológico ou fisiológico, o corpo converte T4 em algo chamado T3 reverso.

E T3 reverso faz o oposto do T3: ele reduz o metabolismo e economiza energia.

Afinal, seu corpo entende que as coisas podem estar desmoronando ao seu redor.

Isso até pode parecer uma resposta desproporcional de seu organismo quando você está “apenas” fazendo muito CrossFit sem comer carboidratos.

Mas lembre-se que as condições ambientais nas quais este sistema fisiológico se desenvolveu tinham como base estressores como fome, guerra e doenças.

Então a prioridade do seu corpo não é “ficar sarado” — e sim simplesmente sobreviver.

Tenho Baixos Níveis De T3 — Eu Preciso Me Preocupar?

De toda forma, talvez um pouco menos de T3 não seja necessariamente uma característica falha da cetose.

Na verdade, sabe-se que as criaturas que mais vivem na terra tendem a ter menores níveis de T3.

Inclusive os humanos que vivem mais, muitas vezes têm uma predisposição genética para níveis mais baixos de T3.

Informalmente, podemos encarar isso como se uma diminuição no metabolismo “atrasasse o envelhecimento”.

E se essa relação (entre níveis mais baixos de T3 e maior expectativa de vida) realmente existir, talvez seja positivo simular esta característica por meio da alimentação.

Porque isso poderia, no final das contas, fornecer benefícios em termos de longevidade.

Mesmo assim, você provavelmente irá muitas vezes ouvir que os carboidratos aumentam os níveis de T3.

(Essa ideia tende a ser um dos argumentos principais para uma realimentação de carboidratos ocasional.)

Ou, mais especificamente, que a tireóide aumenta a produção de T3 para lidar com a glicose.

E isso acontece porque o consumo de carboidratos aumenta a demanda de iodo.

Dessa forma, a tireóide irá requerer mais iodo para fazer mais T3, para assim poder lidar de forma correta com todos esses carboidratos.

Isto não significa que os carboidratos sejam bons ou maus para a sua tireoide.

Significa apenas que os carboidratos exigem mais T3 para serem metabolizados.

Este T3 “extra” é apenas necessário para o metabolismo da glicose, não necessariamente para “fazer você se sentir bem”.

Como um todo, uma dieta cetogênica bem desenvolvida e mantida de maneira correta tem o potencial de fazer seus hormônios tireoidianos ficarem mais eficientes.

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Uma vez que você não estará queimando glicose em excesso, você vai poder ter níveis menores de T3 sem apresentar os sintomas negativos geralmente associados a isso.

Conclusão E Palavras Finais

No final das contas, tudo se resume a como você se sente.

Se você tem um pouco de “hipotireoidismo” mas se sente bem, tem energia de sobra, não tem problemas para perder de peso ou manter a composição corporal, então não há razões para se preocupar.

Por outro lado, se você:

  • está tremendo de frio o tempo todo,
  • está com os lipídios nas alturas,
  • não consegue ter energia para fazer o básico da sua vida (e muito menos se exercitar ou ter performance),
  • está tendo problemas de fertilidade, e
  • se sente muito mal,

então realmente você tem um problema com o qual se preocupar.

Pois esses são alguns dos

Fato é que você saberá se a dieta cetogênica está prejudicando a sua tireoide.

É realmente difícil não notar.

Exames de tireoide podem ajudá-lo, mas os sintomas certamente são o principal.

Nós pessoalmente gostamos de seguir uma dieta cetogênica uma boa parte do tempo — e, de fato, nunca nos sentimos melhores.

E você, está em uma dieta cetogênica?

E como vai sua tireoide?

Vamos continuar essa conversa nos comentários abaixo

Obs.: A gordura marrom é aquela que gera calor ao nosso corpo e nos mantém aquecidos.

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